Os dois são vencedores na política e nos negócios, estão com a popularidade em alta e cultivam grandes afinidades políticas e empresariais. Mas, quando o assunto é futebol, os governadores Blairo Maggi, do Mato Grosso, e Ivo Cassol, de Rondônia, não se acertam. Ambos os mandatários estão hoje em Vilhena, discutindo assuntos ligados à pecuária nos dois Estados. Embora nenhum deles tenha nascido no Rio Grande do Sul (Maggi é paranaense e Cassol é “catarina”), ambos torcem para times gaúchos.

Cassol começou a vibrar pelo Grêmio ainda na adolescência, já que o futebol de seu Estado natal jamais revelou grandes equipes. Assim, a paixão pelo tricolor do Estado vizinho nasceu incentivada pelos parentes mais velhos.

Já Maggi é “colorado” desde a época da faculdade. Aliás, o governador matogrossense havia acabado de concluir o ensino superior quando seu time do coração levantou a taça do Brasileirão pela última vez, no longínquo ano de 1.979.

O irônico da rivalidade entre colorados e tricolores é que, este ano, o Inter depende do Grêmio para se sagrar campeão. Jogando contra o Flamengo, no Maracanã. No próximo domingo, o Grêmio precisa vencer (na pior das hipóteses) o rubro-negro para que o rival, que é o segundo colocado na tabela, tenha chances de ficar com o título. O colorado joga fora de casa, contra o Santo André, em São Paulo, e precisa da vitória, além de torcer pelo tropeço do Mengão contra o adversário.

JOGO LIMPO – Analisando a inusitada situação, cada governador expõe seu ponto de vista quanto a questões éticas. Cassol, embora não tenha a menor simpatia pelo Inter, acha que o Grêmio deve vencer a partida, por uma questão de honra. Segundo disse o líder rondoniense, entrevistado pelo www.folhadosulonline.com.br via assessoria, não importa que o bom desempenho dos tricolores beneficie o adversário histórico. Peladeiro inveterado, Cassol, que é líder do PP em Rondônia, acha que não há espaço para malandragens no esporte que é a paixão nacional.

Já o governador matogrossense tem uma noção mais “elástica” de ética. Para ele, não há nada de errado em incentivar financeiramente o Grêmio para que o time vença o Flamengo. Em entrevista ao um site cuiabano, o mandatário do PR fez uma revelação surpreendente: em Mato Grosso estaria sendo realizado um movimento empresarial de torcedores do Inter visando mandar uma “mala branca” para o Grêmio. Resta saber se os gremistas vão mesmo aceitar esta ajuda para fazer seu maior inimigo campeão.