Recorrer a diaristas em vez de empregadas registradas, um dos impactos esperados da nova lei das domésticas, é uma tendência mais antiga, apontam dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Mas foi só o projeto surgir, em 2012, para que os contratos de tempo integral se tornassem um luxo em algumas agência de recrutamento.
“Desde novembro começou a enfraquecer a procura por domésticas. Agora está superfraco e o que recebemos são indicações para classes A e AAA que não têm problema em pagar R$ 2 mil para empregada. A classe C, que pagava entre R$ 800 a R$ 1 mil, não quer contratar mais, e já opta por diarista”, diz Camila Aragão Pansica, diretora-executiva da agência Gentil, que recruta trabalhadores domésticos em São Paulo.
Em 2001, 18% dos domésticos trabalhavam em um só domicílio. Em 2009, essa parcela saltou para 29%. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD), do IBGE, e foram compilados por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Uma maior proporção de diaristas está relacionada a uma melhor distribuição da renda, chama a atenção Hildete Pereira de Araújo, integrante da equipe da UFF e coordenadora-geral dos Programas de Educação e Cultura da Secretaria de Políticas para as Mulheres. A região Sul, por exemplo, que tem o menor índice de Gini (instrumento para medir o grau de concentração de renda) do País – e portanto, é a menos desigual –, também registra a maior parcela de domésticos que trabalham em mais de uma casa: 35%. No Nordeste, a mais desigual do país, a parcela é de 22,8%.
“A previsão é que neste ano possa haver um aumento no número de diaristas, o que vem se manifestando nos últimos anos”, diz Hildete. “[Ter empregada todo dia] é um luxo, mas é o correto.”
A troca de uma empregada de tempo integral por uma diarista deve ocorrer sobretudo entre os que não têm crianças ou idosos que necessitem de cuidados em casa, avalia Margareth Carbinato, presidente do Sindicato dos Empregadores Domésticos do Estado de São Paulo (SEDESP) . E isso, argumenta ela, a nova legislação irá gerar mais desemprego.
Fonte:
IG
Publicado em 27 de Março de 2013, às 10:11