O episódio envolvendo uma senhora carente do bairro Assossete, que fica na periferia de Vilhena, ilustra bem o descumprimento da lei federal que obriga os cartórios a emitir gratuitamente documentos essenciais para pessoas de baixa renda.
A mulher de 57 anos, que junto com o marido vende de porta em porta os produtos para limpeza que fabrica artesanalmente, queria se casar no cartório. Divorciada e fiel da Assembleia de Deus, ela disse que optou pela cerimônia no civil porque já havia subido altar na união anterior e não gostaria de “viver em pecado” no segundo matrimônio.
Detalhe: a renda total do casal não chega a R$ 600 e, do que ganha, a senhora ainda precisa gastar com medicamentos para combater os reflexos da menopausa, que já começa a chegar. “Tem vezes que nem tomo os remédios por não ter dinheiro para comprar”, revelou ao FOLHA DO SUL ON LINE por telefone.
Ao chegar ao cartório, no entanto, a noiva foi orientada a produzir uma “Declaração de Pobreza”, pela qual pagou R$ 10 para que a funcionária de um escritório digitasse.  De volta ao cartório, mal orientada, pagou outros R$ 31,00 para autenticar o documento. Juntando o que gastou com mototaxis para duas testemunhas e para si mesma, a trabalhadora desembolsou quase R$ 80, mais ou menos o gasto que teria se não optasse pela gratuidade do casamento.