Rondônia tem 660 mil afro-descendentes e 62 mil negros – mais da metade da população total. Os dados são do IBGE e mostram o peso da raça na formação do estado. Ainda assim, o 20 de Novembro – Dia da Consciência Negra – não é feriado e nem mesmo lembrado na maioria dos municípios.
Em Vilhena, o presidente da Câmara Municipal, Carmozino Taxista - FOTO (PSDC), é negro. Nunca tomou nenhuma medida afirmativa relacionada aos seus pares. No Cone Sul, houve outros afros influentes na política: Ataíde da Silva (ex-prefeito de Chupinguaia, já falecido), Chico Paraína (ex-prefeito de Cabixi) e Valdelito Baiano (ex-prefeito de Pimenteiras do Oeste).
Na região, Pimenteiras do Oeste é onde há o maior número de negros: o povoado que deu origem à cidade era habitado por escravos fugidos de fazendas do Mato Grosso. Onde é hoje o município de Cabixi já foi o Quilombo do Piolho, liderado pela escrava Tereza de Benguela.
Em Rondônia, há 12 quilombos, mas apenas um deles é reconhecido. Localizada a 108 quilômetros do município de São Miguel do Guaporé, no coração da Amazônia de Rondônia, vive a Comunidade de Jesus, a primeira a ser reconhecida pelo Incra como remanescente de quilombo no estado. Por meio da Portaria 15 de 2009, o órgão declarou que os mais de 5 mil hectares pertencem às 51 pessoas que lá residem há mais de cinqüenta anos e que, agora, terão acesso ao título comunitário da terra.