Faleceu no domingo, dia 05, no Hospital João Paulo II, em Porto Velho, Miguel Aparecido da Silva, de 45 anos. Segundo a família, a Certidão de Óbito atesta como causa da norte uma pneumonia.
Miguel estava preso na Casa de Detenção de Vilhena (CDV) desde o dia 3 de agosto deste ano, sob a acusação de tentativa de estupro. O julgamento estava marcado para 30 de novembro, o que não acabou não acontecendo em virtude do agravamento de seu quadro de saúde.
Segundo a esposa de Miguel, Clarice Gomes Cardoso da Silva, 47, ele estava saudável quando foi preso. A viúva garante que a doença que matou o esposo foi contraída na cadeia.
Clarice disse ainda que, mesmo quando o marido estava com a doença já em estado avançado, as autoridades locais não permitiram que ela cuidasse dele. “Pedi para que me deixassem levá-lo ao médico, mas não me permitiram”, disse.
A viúva alega que somente levavam o marido ao hospital quando ele estava muito mal. Aí, segundo ela, davam uma injeção para dor e o levavam de volta. “Foi somente quando viram que ele ia morrer que correram para o hospital”, acusa.
Clarice contou que no dia 12 de novembro, uma sexta-feira, dia de visitas na CDV, ela foi ver o esposo. Conforme relata, enquanto aguardava a sua vez de entrar, uma amiga que havia entrado antes dela, a avisou que seu esposo havia sido levado às pressas para o Hospital Regional (HR). “Fiquei mais de duas horas esperando para entrar e ninguém da CDV me avisou que meu marido estava no hospital”, disse.
Ela foi ao HR, e lá, a informaram que somente poderia ver o esposo no período da tarde, as 14h00. Sem ter o que fazer, voltou para sua residência.
Ao retornar ao HR à tarde, teve a noticia que o quadro de saúde de Miguel era grave e que ele havia sido transferido para a capital. “Novamente, não avisaram nada à família, ficamos sem saber o que fazer”.
Segundo Clarice, a informação que foi passada a ela pelos médicos do HR é a de que seria necessário fazer uma cirurgia e que, por isso, haviam transferido o detento o Hospital João Paulo II, em Porto Velho.
Dias depois, alguns familiares de Miguel foram a Porto Velho para saber como ele estava. Segundo Clarice, esses parentes relataram a ela que o marido, apesar de estar com um quadro avançado de pneumonia, continuava dormindo no chão.
Eles disseram ainda que, diferentemente do diagnóstico dado pelos médicos de Vilhena, não seria necessário fazer a cirurgia, somente uma drenagem. Mas, de acordo com Clarice, nem isso foi feito.
Clarice conta que foi a Porto Velho ver o esposo uma semana antes dele falecer. Disse que os parentes somente podiam vê-lo durante meia hora, uma vez por semana.
Ela ficou na capital nos 26, 27, 28, de novembro, então retornou a Vilhena. No final de semana seguinte, mais precisamente no domingo, dia 5 de dezembro, recebeu a notícia que seu esposo havia falecido.
O Governo do Estado arcou somente com a urna funerária, e a família teve que pedir dinheiro emprestado, cerca de R$ 1.600, para poder trazer e enterrar em Vilhena o corpo de Miguel.
Miguel faleceu depois de 23 dias em Porto Velho. A viúva, além da divida, ficou com quatro filhos menores que ela terá que manter com o salário que ganha como empregada doméstica.