O líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Badie, e outros 682 réus islamitas considerados leais ao presidente destituído Mohamed Morsi foram condenados à morte nesta segunda-feira (28) por um tribunal egípcio. Todos foram acusados de atos de violência.

 As sentenças serão encaminhadas à Mufti, a autoridade religiosa mais alta do Egito, que irá confirmar ou não a decisão do Tribunal. A decisão final deve ser divulgada em 21 de junho.

Os condenados foram julgados por participação em manifestações violentas em Minya em 14 de agosto de 2013, mesmo dia em que mais de 700 partidários de Morsi morreram em protestos violentamente reprimidos no Cairo.

Várias mulheres que aguardavam o veredicto nas proximidades do tribunal desmaiaram ao tomar conhecimento da sentença.

Entre os 683 condenados nesta segunda-feira, apenas 50 estão detidos. Os demais estão em liberdade sob fiança ou são considerados foragidos.

Mohamed Badie, líder da Irmandade Muçulmana, tem outros julgamentos abertos, nos quais também pode ser condenado à pena de morte.

Também nesta segunda-feira, um tribunal do Cairo declarou a proibição do Movimento de 6 de Abril, o principal grupo de jovens que liderou a revolta contra o presidente Hosni Mubarak, destituído em 2011.

O grupo critica atualmente o regime comandado pelo exército. As forças de segurança mataram 1.400 manifestantes desde o golpe de Estado de 3 de julho que destituiu o presidente islamita Mohamed Morsi, o único eleito democraticamente na história do Egito.

A turbulência no Egito se aprofundou desde julho de 2013, quando o Exército depôs Morsi. As forças de segurança já mataram centenas de manifestantes da Irmandade nas ruas e prenderam milhares de outros - atualmente, mais de 15 mil partidários de Morsi e militantes da Irmandade Muçulmana estão detidos.