O estudo do rosto do chamado "Chico de la Gran Dolina", um adolescente que viveu na Sierra de Atapuerca, no norte da Espanha, há quase um milhão de anos, confirma a hipótese que pode se tratar de uma nova espécie: o Homo Antecessor, do qual apenas encontraram restos nessa região.
Parte do estudo foi publicada na revista científica Plos One sob o título Facial morphogenesis of the earliest europeans, informou nesta terça-feira em entrevista coletiva um de seus autores e membro da equipe científica de Atapuerca, José María Bermúdez de Castro.
A análise, realizada por cientistas do CENIEH (Centro Nacional de Pesquisa sobre a Evolução Humana) e da Universidade de Nova York, concluiu que o rosto tem traços modernos, já que é visível uma expansão craniana e os dentes também são modernos, embora ainda possuam "traços primitivos".
"Sem dúvida alguma", de acordo com Bermúdez de Castro, se trata de uma espécie distinta a todas encontradas até agora.
O paleontólogo acredita que o Homo Antecessor pode estar "muito próximo" ao antepassado comum entre o Homo Neandertal e o homem moderno, "inclusive poderia ser esse ancestral", embora seja algo que ainda tem que ser debatido com a comunidade científica.
Trata-se de um tronco comum que deve ter surgido em uma zona situada entre o leste da África e o sudoeste da Ásia entre o Homo Neandertal, que se expandiu pela Eurásia, e o homem moderno, cuja origem é situada na África.
Bermúdez de Castro reconhece que a comunidade científica não está totalmente de acordo em relação a este ponto e pede uma opinião, embora tenha lembrado que quase não foram feitos mais estudos sobre restos do Homo Antecessor que os realizados pelos membros da equipe de Atapuerca.
Fonte:
TERRA
Publicado em 11 de Junho de 2013, às 19:50