Um rapaz cuja identidade está sendo preservada pelo Ministério Público de Vilhena procurou o órgão na segunda-feira, 18, um dia após o concurso feito pela Prefeitura local para denunciar uma suposta fraude no exame de seleção. O concurso, que oferecia 441 vagas em vários níveis de formação, foi organizado pelo Instituto Saber, de Cascavel (PR).

Segundo relatou o denunciante, uma prova do certame teria sido oferecida a ele por R$ 1.500, em abordagem feita por um rapaz identificado apenas como “Júnior”. Este, por sua vez, teria recebido o material do atual secretário de Fazenda, Gustavo Valmorbida. Conforme o autor da queixa, o preço para quem quisesse ficar entre os primeiros colocados e ocupar funções com melhor remuneração precisaria desembolsar R$ 10 mil.

Apesar das contradições no depoimento do denunciante (como não saber o sobrenome do intermediário e alegar em outro trecho que a prova fora entregue de graça), Gustavo foi chamado a depôr no MP. Antecipando a eventuais pedidos, o secretário já levou consigo uma cópia de seu extrato bancário.

O secretário desmente qualquer participação na suposta tentativa de fraude e atribui a denúncia “totalmente descabida” a ataques contra o prefeito Zé Rover. Valmorbida diz achar muito estranho que a prova só tenha chegado ao MP no dia seguinte ao exame, quando muitos candidatos tiveram acesso ao material. Ele também diz que, em virtude das incoerências da denúncia, não acredita em risco de anulação do processo seletivo. “Eu sou o maior interessado em esclarecer tudo isso e vou permanecer à disposição do MP para ajudar na apuração deste crime”. Com a disosição demonstrada por Gustavo para enfrentar a acusação, agora o denunciante terá que provar o que diz ou poderá ser punido pela Justiça por denunciação caluniosa. Enquanto as investigações prosseguem, as provas e gabaritos do concurso estão sob a guarda da Polícia Civil de Vilhena.