A ameaça feita por algumas lideranças vilhenenses de denunciar o promotor Paulo Lermen no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) pode prejudicar várias entidades assistenciais na cidade. A denúncia contra Lermen tem como base os repasses de valores feitos pela justiça local à Trindade Santa, entidade que atende dependentes químicos e da qual o próprio promotor faz parte. Os autores da iniciativa alegam que, ao aceitar que multas e outras penalidades pecuniárias beneficiem a instituição, Paulo Lermen estaria cometendo “deslize ético” no exercício da função.
Em entrevista ao FOLHA DO SUL ON LINE NA MANHÃ de segunda-feira, o promotor disse que não teme a denúncia e que está preparado para respondê-la quando for convocado, pois não dá causa a destinação das verbas as entidades filantrópicas. Mas, indignado, lembrou que usa parte do pouco tempo livre de que dispõe para atender, sem nenhuma remuneração e com despesas próprias, pessoas que são ignoradas pela própria sociedade. “Faço um trabalho que deveria receber apoio de toda a sociedade, pois ajuda a resgatar a dignidade de muita gente, mas alguns preferem mesmo é dificultar, ao invés de ajudar”, desabafou acrescentando ainda que mais da metade dos 40 internos não têm condições financeiras de ajudar a manutenção da Associação. "Nunca deixamos de receber uma pessoa por não ter condições de se internar". O promotor também explica: "Graças aos empresários e pessoas físicas abnegadas é que conseguimos manter a casa". Ontem a Associação Trindade Santa completou 10 anos de existência, tendo atendido 400 pessoas do sexo masculino nesse período, não só de Vilhena, mas de outras cidades de Rondônia e de outros estados..
Ao site, o promotor disse que, se for determinado pelo Ministério Público, deverá entregar o cargo de tesoureiro da Trindade Santa, e previu que outras entidades talvez tenham que pagar o preço pela iniciativa de seus opositores, pois a atitude de denuncia-lo tende a “melindrar o Judiciário com acusações infundadas”. Segundo Lermen, a justiça pode optar por mandar diretamente para os cofres do estado os recursos obtidos com penas financeiras impostas nas audiências do Fórum local. Ele alega que para todos os recursos que recebeu do judiciário houve a devida prestação de contas, sob pena de não poder receber mais recursos, como ocorrem com as outras entidades filantrópicas sociais.
Quanto ao suposto uso do cargo para beneficiar a entidade que dirige, Lermen é enfático: “São nove instituições a que são destinadas essa ajuda e a Trindade Santa nem é a que recebe mais, pois todas recebem de forma equitativa. O destino dos recursos é decidido pelos próprios juízes, após o parecer de colegas promotores de justiça"- que não o promotor Lermen. O agente do MP lembra, ainda, que a maior parte do dinheiro de multas e transações judiciais vem da área criminal, onde ele não atua mais e, portanto, não tem como interferir. Entre as organizações assistenciais que podem perder o benefício por causa da denúncia estão a Apae, o Lar dos Idosos, a ONG "O Caminho", a ABCESE, a Associação dos Idosos e a Guarda Mirim, entre outras.