Locutor, criador de jingles, sites e textos comerciais para tevê e rádio. Tudo isso, Geraldo Lacerda de Souza, 38 anos, tira de letra, mesmo não tendo completado sequer o ensino médio ou feito cursos técnicos de informática. E detalhe: ele é deficiente físico.
Aos 14 anos, com dificuldades para frequentar as aulas de educação física, teve o diagnóstico de que era portador de uma distrofia muscular progressiva, doença genética que aos poucos lhe rouba a força das duas pernas.
Criativo e “antenado” quando o assunto é tecnologia, Geraldo é dono da agência de publicidade & propaganda Odlareg Company Produções Ltda e sonha concluir uma faculdade neste setor.
Nascido em Iretama, interior do Paraná, é o décimo primeiro filho de um carpinteiro e uma dona de casa. Começou a trabalhar cedo gravando comerciais em áudio influenciado pelo irmão, já falecido, que era músico. Chegou a Rondônia em 1991, com a família, e dois anos depois foi apresentado a um velho computador CP500, “que parecia um telex, de tão arcaico”, recorda. E de lá para cá nunca mais parou de “viajar” no mundo da informática.
Com a popularização da Internet, Geraldo viu seu negócio melhorar. Hoje, além de desenvolver logomarcas e fazer gravações em áudio, ele dá assistência a vários sites da cidade. Acorda sempre bem cedo e vai logo para frente do companheiro de trabalho, onde cria trabalhos de excelência.
UMA HISTÓRIA DE AMOR - Foi graças à rede mundial, que ele tinha apenas como um instrumento de trabalho, que o publicitário mudou completamente sua vida há três anos. Papeando pelo messenger, Geraldo conheceu Luciana, hoje com 25 anos, e que na época estava grávida e morava em Rolim de Moura (RO). Os dois se conheceram pessoalmente três meses após as primeiras tecladas, se casaram dali a cinco meses e vivem em Vilhena com a pequena Izabelly, que Geraldo recebeu como filha legítima.
No começo da relação virtual, ele ficou com medo de contar da situação dele; medo de ser rejeitado como já aconteceram algumas vezes. “Mas me apaixonei por ele, não importava o que ele me contasse, não mudaria o que sentia e sinto”, conta Luciana.
“Eu era solteiro e sem nenhuma pretensão de casamento. Daí, numa bela noite conversando pelo MSN, mudou tudo. E para melhor, pois conheci a mulher da minha vida. Foi amor à primeira teclada e oito meses depois nos casamos. Sou feliz ao lado da mulher maravilhosa que é a Lu”, derrete-se Geraldo, tendo a pronta retribuição da amada: “Ele é a pessoa que sempre sonhei em encontrar”, diz ela.
Luciana garante que seus pais não fizeram objeções e nem manifestaram preconceito pelo fato de Geraldo ter necessidades especiais. “Na verdade o medo da minha mãe era mais pelo fato de ser uma pessoa desconhecida, morar em outra cidade e por eu ter saído de uma decepção amorosa há pouco tempo. Sou de família evangélica e fui criada sem preconceitos. Minha mãe gosta muito do Geraldo”, afirma.
Serviço: Contato com Geraldo Lacerda podem ser feitos através dos telefone (69) 3322-1037, 8464-0855 e 9241-2721 ou pelo e-mail vilhenamix@gmaill.com. Conheça alguns sites por ele desenvolvido através do www.sistema1.com.br.
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PENA NÃO! RESPEITO SIM! - Geraldo não é de reclamar. Tranquilo, sorridente e apaixonado, curte a vida com alegria. Porém, ele faz uma constatação comum a todos os portadores de necessidades especiais: as dificuldades de acesso aos locais públicos.
Poucos estabelecimentos se preocupam com a palavra da moda: acessibilidade. Lojas com degraus altos demais, praças que não têm estrutura nenhuma, banheiros sem as adaptações, calçadas ocupadas, entre outros transtornos, compõem o cenário urbano. Em algumas lojas vilhenenses os obstáculos na entrada chegam a mais de 20 centímetros de altura e são raros os meio-fios com o rebaixamento para acesso de cadeirantes. “Mas, não posso generalizar. Há alguns espaços que dispõe dos mecanismos de que necessitamos”, contemporiza.
Para se andar de circular ou de ônibus é preciso que haja alguém disposto a ajudar a levar, nos braços, o deficiente até a poltrona. “Nas portas de entrada dos veículos um cadeirante não entra de jeito nenhum, sem contar a má-vontade de alguns funcionários das empresas de transporte”, discorre Geraldo.
“Eu não sinto pena dele, como a maioria das pessoas que o veem pela primeira vez”, comenta Luciana, lembrando que o importante é o “respeito” e que seu marido é seu exemplo de vida. “Não desiste até que consiga atingir o seu objetivo. É um excelente pai e um marido maravilhoso. Ele me ensinou muito e me ensina a cada dia”, encerra.