O hit "Gangnam Style", do cantor sul-coreano Psy, ultrapassou a marca de 200 milhões de visualizações no YouTube e é fácil entender o porquê. Nenhum conhecimento da língua coreana é necessário para desfrutar a dança do artista, que consiste em uma divertida galopagem em cima do cavalo, um refrão viciante e acontecimentos esquisitos durante o vídeo.
Apesar da excentricidade e da superfície cômica, a canção que conquistou o mundo é uma forte crítica social sobre os novos ricos do país que vivem no distrito de Gangnam, que é apenas uma pequena parte de Seul, mas inspira uma complicada mistura de desejo, inveja e amargura.
O lugar
Gangnam é o endereço mais cobiçado da Coreia do Sul, mas, há duas gerações, era apenas um lugar abandonado, cercado por terra plana e valas de drenagem.
O distrito de Gangnam, que literalmente significa “sul do rio”, é metade do tamanho de Manhattan, em Nova York. Cerca de 1% da população de Seul mora lá, mas muitos dos habitantes são ricos. A média de preço de um apartamento em Gangnam é de US$ 716 mil, o que um sul-coreano da classe média demora 18 anos para ganhar.
O centro de negócios e do poder governamental de Seul sempre foi no norte do rio Han, nas vizinhanças em torno dos palácios reais, onde muitas famílias ricas tradicionais ainda moram. Gangnam, no entanto, é o lugar dos novos ricos, que ganharam dinheiro com o boom que começou nos anos 1970.
Como os preços dos apartamentos dispararam durante um frenesi de investimento imobiliário no início de 2000, os latifundiários e especuladores se tornaram ricos praticamente da noite para o dia. A nova riqueza atraiu as mais modernas lojas e clubes e houve uma proliferação de clínicas de cirurgia plástica, mas também forneceu acesso a algo considerado vital na Coreia do Sul: educação sob a forma de aulas particulares prestigiadas e escolas preparatórias. As famílias de Gangnam gastam quase quatro vezes mais em educação do que a média nacional.
A noção de que os moradores de Gangnam não subiram na vida seguindo as virtudes tradicionais sul-coreanas de trabalho duro e sacrifício, mas simplesmente por viverem em um pedaço cobiçado da geografia, irrita muitos. Habitantes do bairro são vistos por alguns como monopolizadores das melhores oportunidades do país para a educação, das melhores ofertas culturais e da melhor infraestrutura, enquanto gastam muito em bens luxuosos estrangeiros para destacarem sua riqueza.
“Gangnam inspira inveja e desgosto”, diz Kim Zakka, crítico de música pop. “Os moradores de Gangnam são sul-coreanos da classe alta, mas os sul-coreanos os consideram egoístas, com nenhum senso de obrigação social”. De certa forma, a canção do Psy pressiona esses botões culturais.
Fonte:
Uol
Publicado em 20 de Setembro de 2012, às 08:53