“O que eu sei é que teve pessoas que deram entrada no Habite-se depois de mim e receberam antes”
O corretor de imóveis Marcio Renato Bortolanzza procurou a redação do FOLHA DO SUL ONLINE para denunciar a morosidade da Prefeitura de Vilhena na emissão do Auto de Conclusão de Obra, mais conhecido como Habite-se, que vem causando prejuízos, principalmente para quem constrói casas para vender.
De acordo com o denunciante, há algum tempo esse processo demorava entre 12 e 15 dias, mas hoje o tempo para emissão desse documento gira em torno de 90 a 100 dias. “Eu dei entrada em alguns processos em dezembro e apenas agora estão começando a ser liberados”, disse o corretor.
De acordo com Bortolanzza, quem trabalha com construção de casas para venda precisa negociar rapidamente o imóvel para poder erguer uma nova unidade. Mas, com a demora na emissão do Habite-se, ele vai ficar com o capital empatado e não consegue construir as novas moradias. “É prejuízo para todos, para o pedreiro que vai ficar sem trabalho, para o investidor que não vai ter seu capital girando, e para a prefeitura que perde em arrecadação de impostos”, disse.
O corretor explicou ainda: “Essa demora significa uma queda de 25% no número de casas construídas, falando apenas dessa modalidade. Se analisarmos que em média são construídas 600 casas ao ano, estamos falando de 150 casas a menos a cada ano”, enumerou, antes de continuar: “se fizermos de R$ 100 mil cada casa, isso significa dizer que R$ 15 milhões por ano deixam de circular no município; e a prefeitura deixa de arrecadar R$ 150 mil em taxas”, contabilizou.
De acordo com Bortolanzza, a categoria já se reuniu duas vezes com o secretário de Planejamento do município, Ricardo Zancan, para cobrar solução para o problema que persiste. “Tivemos duas reuniões com o secretário, uma logo que ele assumiu e outra um ano depois, mas, nada melhorou”.
O corretor citou ainda que tem o conhecimento de que alguns processos andam mais rápido que outros. “Não vou dizer que tenha corrupção. Porque não tenho prova disso. Mas toda essa burocracia abre margem para a corrupção. O que eu sei é que teve pessoas que deram entrada no Habite-se depois de mim e receberam antes”, finalizou.
Autor:
Rogério Perucci
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 16 de Junho de 2020, às 11:04