O governador Confúcio Moura (PMDB) postou em seu blog (confuciomoura.blogspot.com), na madrugada desta quinta-feira (13) uma notícia intrigante, capaz de demonstrar o quanto pretende ter atitudes diferentes das de habituais governantes. Disse que não vai fazer a tradicional foto oficial para ser exposta nas repartições públicas do Estado.
Para velhas raposas da política, essas que se revezam no poder por dezenas de anos e fazem da própria imagem sinônimo de ostentação e onipresença, tal ato pode ser visto como desrespeito. Talvez, Confúcio seja até criticado por agir assim. Nada que já não tenha sido previsto por ele antes de tomar a decisão de não posar para o fotografia oficial.
Talvez tenha sido por isso que o governador se adiantou na recomendação. “Não me vejam, por favor, como um camarada que fura o cerimonial, usos e costumes. O ritual da foto oficial nunca me agradou. Fui prefeito [em Ariquemes] e não tirei nenhuma foto oficial para expor no gabinete. Vou deixando o tempo passar e esqueço.”
E ainda no blog, diz: “O pessoal já me procurou para tirar a tal foto. Claro que vou deixar apenas uma na galeria dos ex-governadores. Não sei ainda se é colocada agora ou depois de sair do governo”.
Confúcio sugere que se coloque a bandeira de Rondônia no lugar da foto dele. “Ou quem sabe uma foto dos lagos de Cuniã, bem mais bonito, não acha?”, sugere, bem-humorado.
FAZENDO AS CONTAS - Em termos financeiros, a “aposentadoria” da foto oficial gera economia para o Estado. A reportagem da FOLHA DO SUL apurou que numa loja de Porto Velho, uma fotografia medindo 30 por 40 centímetros (tamanho geralmente usado), com moldura de madeira, custa, pelo menos R$ 60.
Daí é fazer os cálculos. Só em Vilhena, onde tem por volta de 50 repartições públicas pertencentes ao governo do Estado, incluindo escolas e órgãos como Iperon, Seduc e Emater, o gasto seria de aproximadamente R$ 3 mil.
A partir dessa conta, calcula-se que a exposição de fotos do governador nos 52 municípios de Rondônia geraria um custo próximo de R$ 100 mil. O valor parece pouco perto do Orçamento acima de R$ 5 bilhões previsto para 2011. Mas a quantia daria para construir ao menos três casas populares ou comprar um microônibus para o transporte escolar.