Uma decisão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) quanto ao preço mínimo a ser pago pela saca de milho pode causar prejuízos milionários aos agricultores rondonienses. O órgão, que define os preços agrícolas, juntamente com o Ministério da Agricultura, divulgou nesta semana a cotação máxima para o milho, que em Rondônia não poderá custar mais do que R$ 13,20 a saca. Tal valor se refere às compras feitas através de leilões ou AGFs (Aquisições do Governo Federal).

O problema quanto ao valor estipulado é que ele está abaixo da média nacional, também estabelecida pela Conab. A título de comparação, o preço mínimo de uma saca de milho nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste (exceto Mato Grosso) é de R$ 16,50, ou seja, 25% a mais que é pago em Rondônia.

De acordo com Evandro Padavoni, secretário executivo do Sindicato dos Produtores Rurais de Vilhena, a medida tem impacto direto na economia do Cone Sul, dependente das cotações agrícolas. O sindicalista também explica que técnicos da própria Conab fizeram levantamentos no município e constataram que o custo de produção de uma saca de milho é de R$ 17,24. “Ou seja, estamos pagando para plantar”, queixa-se Padovani, que também é produtor rural.

Para tentar reverter o prejuízo, o Sindicato está mobilizando políticos ligados ao agronegócio em todo o país. A idéia é fazer com que a Conab pague o preço mínimo estabelecido pelo Decreto 6.557/2008, que fixa em R$ 19,00 o milho produzido nas regiões Norte e Nordeste. Estranhamente, porém, o mesmo decreto exclui Rondônia. Padovani que quer o Estado passe a constar da relação, para evitar que a agricultura local entre em colapso.