As colheitadeiras já estão em campo. Foi aberta esta semana a colheita da soja no Cone Sul. Em Vilhena, Nadir Comiram administra 2 mil hectares numa propriedade às margens da BR-364, próxima ao posto da Polícia Rodoviária Federal. Engenheiro agrônomo graduado pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), ele plantou variedades superprecoces, precoces e padrão. “Com isso, podemos escalonar a colheita e minimizar a possibilidade de perdas por excesso de chuvas”, diz. Umidade demais, em índices acima de 8%, explica Comiram, podem trazer a chamada “soja ardida”, de menor valor no mercado.
Valor e mercado, aliás, são duas variáveis que se uniram este ano a favor dos sojicultores da região.
A saca está cotada entre US$ 25 e 26,5 (aproximadamente R$ 45,00) na maioria das praças do mercado nacional, de Rondonópolis (MT) a Sapezal (MT) e existe pressão de alta de preços no mercado futuro, das commodities, em que a soja é vendida numa unidade de medida norte-americana equivalente a 27,215 kg chamada bushel, adotada pela Bolsa de Chicago (USA) e outras em todo o mundo, como Frankfurt e Londres, na Europa.
O contrato futuro fixa uma obrigação de fazer ou receber a entrega de uma quantia específica de soja, num lugar e tempo pré-determinados no futuro, como daqui a 90, 120 ou 240 dias, por exemplo.
Todos os termos do contrato são padronizados e estabelecidos de antemão, exceto o preço. Este é decidido no pregão viva-voz da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), ou através de um sistema de negociação eletrônico.
Vilhena tem uma área plantada de cerca de 45.000 hectares e, no Cone Sul, o total alcança os 100.000 hectares, segundo dados confirmados com a Emater e a Conab.
Boa parte desta produção será vendida no mercado futuro. Como a produtividade média histórica é de até 50 sacas por hectare, a safra pode significar, este ano, uma injeção de até US$ 125 milhões no setor sojicultor.