Morando há cinco anos na cidade de Charlotte, na Carolina do Norte, o pastor vilhenense Joel Gomes testemunhou a segunda vitória do presidente Barack Obama na disputa pela Casa Branca. Comandando uma igreja evangélica no Estado que deu vitória ao republicano Mitt Romney, o religioso disse que não se empolgou com nenhum dos candidatos.
De acordo com Joel, fundador da Comunidade Cristã em Vilhena, embora seja melhor para os imigrantes, Obama apoiou temas que contrariam os evengélicos, como o aborto e o casamento gay. Já Romney é de uma religião que, lá, ainda conta com fieis que praticam a poligamia. “Além disso, ele tem uma grande fortuna mal explicada em paraísos fiscais”.
O vilhenense diz que, embora seja líder espiritual de vários brasileiros que freqüentam sua congregação, não influenciou o voto de ninguém. “Minha postura polética é a mesma que adotava no Brasil. Eu entendo que cada um é livre para exercer sua cidadania e votar segundo sua consciência. Toda vez que a igreja se misturou com política partidária foi e sempre será um desastre”, justificou a neutralidade.
Sobre o fato de ser negro e, obviamente, passar a receber cobranças para abraçar a campanha de Obama, Gomes argumenta: “O fato de ser negro não influencia em nada. Creio que também, por sempre deixar claras as minhas posições e as pessoas saberem que não abro mão do meu chamado pastoral por questões políticas, não fui pressionado”.
Na Carolina do Norte, Mitt Romney fez 51% dos votos, contra 48% de Obama, uma vitória apertada, portanto. Mas o modelo americano de eleições indiretas prevê que o vencedor leva os votos de todos os delegados do colégio eleitoral no Estado. Neste caso, foram 15 delegados, número que é definido conforme o tamanho da população.