A primeira comissária de polícia para a juventude na Grã-Bretanha, Paris Brown, de 17 anos,

renunciou ao cargo após a polêmica causada por comentários supostamente racistas e homofóbicos

feitos em sua conta de Twitter quando ela tinha entre 14 e 16 anos.

Em um desses comentários, Paris teria dito que, quando está bêbada, é alegre e inclusiva ou,

mais frequentemente, antissocial e racista. Em um outro tuíte, usando palavrões, ela diz que

todos no elenco de um programa de TV britânico parecem ser gays.

Paris negou ser racista ou homofóbica e pediu desculpas a quem possa ter ofendido ao anunciar

que deixaria o cargo nesta semana. A jovem no centro da polêmica foi descrita por alguns como

vítima de um processo falho de seleção da polícia do condado de Kent e também de uma atenção

indevida da mídia para uma adolescente que faz parte de uma geração que vive boa parte da vida

online.

Paris é alvo agora de uma investigação que tentará determinar se cometeu crime de racismo ou

homofobia com os comentários online.

O caso, que ganhou destaque na imprensa britânica, chama atenção para questões de privacidade

na internet, principalmente, quando dizem respeito a menores de idade.

A União Europeia (UE), por exemplo, discute uma proposta de lei conhecida como 'direito ao

esquecimento'. Segundo a proposta, indivíduos poderiam solicitar a empresas de redes sociais

como o Twitter para que seus todos os seus dados fossem retirados dos servidores.

Estas empresas teriam de acatar tais pedidos, a não ser que alegassem haver razões 'legítimas'

para não fazê-lo.

Uma porta-voz da Comissão de Justiça Europeia, Viviane Reding, disse à BBC que a proposta,

divulgadas no ano passado, foi criada pensando nos jovens.

Paris Brown encerrou sua página no Twitter após o escândalo, mas os posts polêmicos, que

incluem ainda referência a uso de drogas e sexo, continuam disponíveis em outras plataformas.

'Exagero'
O caso teve grande repercussão pois a jovem foi a primeira a ocupar o recém-criado cargo - no

condado de Kent - para funcionar como uma espécie de ponte entre a polícia local e os jovens.

Em um comunicado oficial antes da renúncia, Paris Brown negou ser racista, homofóbica, pró-

violência ou de fazer apologia das drogas. Ela diz que seus tuítes foram 'estúpidos e

imorais'.

"Se sou culpada de alguma coisa, é de ter me exibido e de exagerar coisas no Twitter, e estou

com muita vergonha de mim mesmo, mas não posso imaginar que fui a única adolescente a ter

feito isso", comentou.

Ao fazer comentários públicos sobre o caso, na segunda-feira, Paris Brown chegou a chorar

diante das câmeras.

Em defesa da jovem, a comissária de polícia afirmou que ''jovens cometem erros". "Os tuítes

foram uma desgraça, ela (Paris) está envergonhada e eu estou envergonhada por ela", disse Ann

Barnes.

"A única desculpa que darei é que ela escreveu os comentários em sites de redes sociais quando

tinha entre 14 e 16 anos e jovens cometem erros".