Uma peça de teatro que seria apresentada nesta segunda-feira, às 9h, no Centro de Treinamentos da Prefeitura, gerou confusão e foi suspensa. Cerca de 300 alunos com idades entre 6 e 12 anos, do pré-escolar ao 5º ano, de duas escolas estaduais (Ronaldo Aragão e Wilson Camargo) e uma particular (Adventista) estiveram no local. Mas voltaram para casa sem assistirem ao espetáculo infantil “O Leão e o Ratinho”, que seria interpretado pelo Grupo Teatral Visão, vindo de São Paulo (SP).

Os ônibus, alugados pelas escolas, chegaram com os alunos no Centro de Treinamento pouco antes do horário previsto para o início da apresentação. No entanto, de acordo com os professores, “o local não tinha a mínima estrutura para receber o público estudantil”. O que encontraram foi um salão empoeirado e banheiros sem condições de uso. Não tinha água nem copos descartáveis. E, apesar de um público de aproximadamente 300 crianças terem ido ao centro, existia no local apenas 100 cadeiras.

Na tentativa de que o espetáculo pudesse ser apresentado, os educadores ajudaram na limpeza do piso e das cadeiras.  Mas, como a única alternativa era que dois terços dos alunos vissem a peça sentados no chão, os professores decidiram pelo cancelamento da atividade extraclasse.

Para assistir ao espetáculo, cada aluno de escola particular pagaria R$ 5 e de escola pública, R$ 3. Com o cancelamento da apresentação, os valores não foram pagos ao grupo de teatro. Em razão do episódio, uma escola municipal, que levaria cerca de 120 alunos para a sessão das 10h também cancelou a atividade. Uma terceira sessão prevista para as 14h também não foi realizada. Ao todo, oito escolas tinham confirmado levar seus alunos para o evento cultural. A companhia de teatro fez os contratos diretamente com as escolas, não havendo intermediação da Semed (Secretaria Municipal de Educação) nem da Representação de Ensino da Seduc (Secretaria de Estado da Educação) em Vilhena.

Segundo o ator e diretor da peça Marcos Neuber, “o grupo [composto por três pessoas] não teve culpa pelo contratempo”. Ele disse ter agendado o Centro de Treinamentos há cerca de três meses com o servidor João Carlos Regert Neto, agente administrativo da Semec (Secretaria Municipal de Cultura). “E há dez dias enviamos e-mail confirmando nossa vinda”, disse. Neto nega que tenha havido confirmação. “Eles tinham solicitado o espaço; pedi um projeto básico da turnê, mas não recebi nada.”

O secretário de Cultura, Dirceu Hoffman, disse que sabia da solicitação, mas alega não ter agendado o Centro de Treinamentos para o grupo. “Como é a Sembes (Secretaria Municipal de Bem-Estar Social) que administra aquele espaço, informamos ao pessoal do teatro que tratasse sobre o agendamento com a entidade.”

Marcos Neuber afirma ter perdido cerca de R$ 3 mil por causa do cancelamento das apresentações. “Tenho compromissos financeiros. Agora quero saber quem vai pagar pelo meu prejuízo?”, disse irritado. Ele foi à Prefeitura tentar cobrar o prefeito Zé Rover.