Autoridades americanas afirmaram nesta sexta-feira (25) que Israel teria aceitado uma trégua de 12 horas nos bombardeios à Faixa de Gaza.

Mais cedo, o gabinete de segurança do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, rejeitou o cessar-fogo proposto pelo secretário de Estado americano, John Kerry, e pediu mudanças no texto.

Segundo a agência Associated Press, a proposta americana pedia uma trégua temporária durante a qual Israel e o Hamas teriam diálogos indiretos sobre o abrandamento do bloqueio nas fronteiras da Faixa de Gaza. O Hamas pede que as fronteiras sejam completamente abertas. O principal motivo da negativa israelense seria que o país teria que interromper a ofensiva que está destruindo os túneis ilegais que ligam Gaza a Israel.

Kerry tem pressionado por uma trégua no conflito de 18 dias entre Israel e o grupo islâmico palestino Hamas em Gaza. Não foram divulgados detalhes da proposta de paz, mas uma fonte oficial disse à agência de notícias Reuters que Israel pediu mudanças antes de concordar com qualquer interrupção. O Hamas ainda não respondeu à proposta de trégua.

Após o anúncio de Israel, Kerry se pronunciou no Cairo sobre a proposta de cessar-fogo. Disse que ainda há discordâncias quanto à terminologia para uma trégua, mas que está confiante de que existe uma margem de trabalho.

O secretário de Estado disse a jornalistas que “sérios progressos” foram feitos para a trégua, mas que ainda há mais trabalho a ser feito e que ele está certo de que o premiê de Israel está comprometido em trabalhar por um cessar-fogo.

Kerry disse que o gabinete de Israel pode ter rejeitado alguma linguagem quanto à possível trégua, mas que não houve nenhuma “proposta formal”.

Líderes pedem pausa
O ministro das Relações Exteriores do Egito, Sameh Shukri, e o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, pediram nesta sexta uma pausa nos confrontos entre Israel e o Hamas.

Shukri pediu uma trégua humanitária de sete dias na Faixa de Gaza, para o feriado muçulmano de Eid al-Fitr, que marca o final do Ramadã, na próxima semana. Segundo ele, são necessários mais esforços para se alcançar o cessar-fogo.

“Pedimos um cessar-fogo humanitário... no fim do feriado do Ramadã e no Eid al-Fitr, por um período de sete dias”, disse em coletiva de imprensa.

Uma reunião entre Kerry e líderes da Europa e do Oriente Médio foi marcada para este sábado, em Paris, com o objetivo de alcançar um cessar-fogo "o mais rápido possível", segundo uma fonte da diplomacia francesa disse à Reuters.

Confrontos e protestos
Autoridades de Gaza disseram que ataques de Israel mataram 55 pessoas nesta sexta-feira, incluindo o chefe de mídia do Jihad Islâmico, aliado do Hamas, e também seu filho. Assim, o número de mortos palestinos em Gaza em 18 dias já totaliza 844 pessoas, a maioria civis, segundo informa a Reuters.

Na Cisjordânia ocupada, onde o presidente palestino, Mahmoud Abbas, que tem o apoio dos EUA, governa em uma incômoda coordenação com Israel, cerca de 10 mil manifestantes marcharam em solidariedade com Gaza durante a noite, uma escala que relembra revoltas do passado.

Israel disse que mais três dos seus soldados foram mortos em Gaza nesta sexta-feira, elevando o total de militares mortos para 35. Além disso, Três civis foram mortos em Israel por ataques de foguetes e morteiros vindos de Gaza.

O país também anunciou que um soldado desaparecido depois de uma emboscada em Gaza há seis dias foi definitivamente morto, embora seu corpo não tenha sido recuperado. O Hamas disse no domingo que tinha capturado o homem, mas não divulgou uma fotografia dele.

O avanço terrestre tem objetivo oficial de destruir dezenas de túneis utilizados para a infiltração de combatentes do Hamas, que ameaçam vilas ao sul do país assim como bases do Exército.