O mecânico industrial João José Oliveira, 48 anos, conseguiu marcar todos os números de sua cartela na noite de quarta-feira (1), concorrendo a uma pick-up S-10, no valor de R$ 60 mil. Mesmo assim, ele não conseguiu levar o prêmio para casa. Chegou atrasado cerca de dez minutos, após a contagem regressiva e a espera do locutor para que ele aparece ao palco onde onde eram "cantadas" as pedras do bingo. Quando chegou, a chave do carro já estava nas mãos dafaxineira Lurdes Aparecida de Souza (FOTO 4 e 5), 44, casada, mãe de três filhos, moradora do setor Embratel e funcionária do posto de combustíveis Parada Grande.

João José explica a demora: "Eu estava longe [na hora do sorteio], vim correndo, mas infelizmente não deu tempo". Ele deixou o palco de cabeça baixa, demonstrando seu desapontamento. Ele disse à reportagem da FOLHA que aceita as regras do jogo e já está melhor, "depois de falar com Deus". Mas na hora, ficou muito triste e perdeu até a direção da saída da Expovil. Ele sofre de hipertensão arterial, toma remédios controlados há três anos e enfrenta um momento de crise financeira.  "Eu queria o prêmio para saldar minhas contas. Tenho parcerlas atrasados do carro e o telefone da minha casa está cortado".

O mecânico mora na avenida Liliana Gonzaga, é desquitado e pai de três filhos. Trabalhador, na manhã seguinte à decepção já estava com roupa de serviço pronto para um dia de rotina. Ele contou que recebeu a cartela premiada e uma outra - as duas totalizaram R$ 130 - como parte do pagamento por serviço prestado a um  dos sócios do Grupo Pato Branco.

Além de João e de Lurdes, os computadores do bingo indicaram que 18 pessoas ficaram com "a boa" (a um número de completar o jogo).