Desde que teve o projeto concebido pelo o então prefeito Marlon Donadon, o famigerado “banheiro coreano”, instalado na Praça do Shopping, em frente ao Estádio Portal da Amazônia, causou polêmica e discussão em todos os níveis da sociedade Vilhenense.
A polêmica foi também pela suntuosidade do projeto arquitetônico, mas principalmente, por causa do valor da obra do tal banheiro, estimada em mais de R$ 200 mil.
Alheio a toda crítica, o idealizador deu seguimento ao projeto e iniciou a construção. No entanto, a obra somente foi concluída no mandato seguinte.
Na gestão ao atual prefeito, Zé Rover (PP) o projeto sofreu ajustes que reduziram o valor da obra para pouco mais de R$ 150 mil. Finalmente, em julho de 2009, o banheiro foi inaugurado.
Quando da inauguração, o prefeito alegou que seriam gastos cerca de R$ 5 mil mensais com materiais de limpeza e salários de funcionários que seriam dois vigias e três zeladores.
Não se discute que o banheiro, uma grande bola de futebol, chama a atenção de quem passa nas proximidades. Mas, também não é discutível que tamanho investimento não gerou quase nenhum retorno para a sociedade, visto que nunca atendeu satisfatoriamente a população.
Senão, vejamos: depois de seis meses de inaugurado, em meados de dezembro de 2009, ele foi fechado para que fossem feitos reparos no teto. Nesse período permaneceu cerca de 30 dias fechado.
Reaberto no início de 2010, continuou funcionando aquém das expectativas para um investimento de tamanha proporção.
No mês de abril de 2010, o banheirão deu nova prova de ineficiência e deixou Vilhena mau vista aos olhos de visitantes. No dia 04 daquele mês quase cinco mil pessoas estiveram presentes, senão na praça do shopping, nas proximidades dela.
A coincidência de eventos causou enorme aglomeração de pessoas, já que naquele dia, houve o confronto no Estádio Municipal entre o Vilhena Esporte Clube e o Moto Clube, jogo pelo Campeonato Estadual; no Ginásio Municipal aconteceu a final da Copa AVV de Vôlei, que teve a participação de equipes do estado do Mato Grosso; e ainda a final regional do 1º Festival de Música do Cone sul, evento que aconteceu na praça do shopping, e que reuniu, além dos cantores classificados, muita gente das cidades vizinhas e a população de Vilhena.
Aí é que a coisa fedeu, porque o banheiro coreano, por falta de água e de material de limpeza, foi fechado por volta de meio dia e a multidão, sem ter onde fazer as necessidades se aliviou nos muros e nos troncos das árvores.
Hoje, a situação não é das melhores: o quadro de funcionários, que inicialmente era para ser cinco, foi reduzido para apenas dois vigilantes que também são responsáveis por fazer a limpeza do banheiro.
O horário de funcionamento, fixado numa placa suja de tinta acima da entrada, é do meio dia à zero hora. Isso quando abre.
Segundo um motorista que trabalha com fretes e faz ponto naquela praça, são freqüentes os dias que o banheiro não abre, a exemplo da quinta-feira (5), quando ninguém apareceu para trabalhar e o sanitário permaneceu fechado. “Mesmo tendo custado tão caro, se fosse bem aproveitado, não seria de todo ruim. Mas infelizmente, da maneira que é administrado traz pouco beneficio”, disse o motorista.
Uma freqüentadora da academia ao ar livre existente na praça disse que dá para contar nos dedos as vezes que ela precisou e pode usar o banheiro público. “Geralmente venho pela manhã quando ele está fechado, mas as vezes que vim na parte da tarde e precisei fazer uso, também estava fechado”, reclamou a aposentada.