Fotógrafo abriu empresa na crise, mas acredita em cenário melhor no futuro
O fotógrafo cerejeirense Wverson Aguiar, de 22 anos, que aparece na foto desta reportagem, decidiu regularizar sua condição de pequeno empreendedor e abriu uma empresa. Como se encaixava nos critérios exigidos para ser um MEI (Microeempreendedor Individual), o fotógrafo optou por este caminho.
“Abri o MEI por questão de segurança. Trabalhar formalmente é melhor, pois me dá alguns direitos”, disse o fotógrafo, que tem um estúdio em casa.
Segundo o Portal do Empreendedor, conseguidos pela reportagem através da Sala do Empreendedor, que tem uma parceria com o Sebrae e atende os microempreendedores em Cerejeiras, aumentou o número de abertura de MEIs no município durante a pandemia.
Em janeiro de 2020, foram contabilizados 613 microempreendedores individuais em Cerejeiras. Neste mês de abril, o número atingiu 776. Ou seja, 163 pequenos empreendedores decidiram abrir uma empresa num dos momentos econômicos mais difíceis da história brasileira.
Foi o caso do fotógrafo citado nesta reportagem. “Como eu não trabalhava com fotografia antes da pandemia, não sei comparar com um período normal. Mas eu não olho muito essas circunstâncias externas para fazer o que planejo”, disse Wverson. E complementa: “Investi muito em equipamento e estou preparado para quando a economia melhorar”, disse o microempreendedor, que chegou a investir mais de R$ 30 mil em equipamentos fotográficos, como câmeras, lentes e poderosos flashes.
Criado em 2008, o MEI atualmente está limitado a um faturamento anual de até R$ 81 mil. Se passar deste valor, a empresa entra automaticamente no Super Simples. O MEI tem uma série de isenções tributárias. A única despesa do microempreendedor individual é a contribuição previdenciária, de cerca de R$ 60 mensais. Nem todos os setores podem ser MEI. Médicos, advogados e contadores, por exemplo, não podem. Quando foi criado, o MEI tinha o propósito de formalizar quem estava na informalidade.
O microempreendedor individual quase sempre tem este perfil: um profissional autônomo que decide se regularizar. “O problema é que muitos deles não pensam como o empresário que se tornaram, mas como profissional que sempre foram. E por isso eles podem encontrar dificuldades de gestão e de outras habilidades”, diz o contador André Mendes Gonçalves, do Escritório Líder, em Cerejeiras. E complementa: “Além disso, tem muito empreendedor que não quer mais sair do MEI e permanecer neste modelo impede o crescimento da empresa. O MEI é ótimo, mas ele é uma tampa que limita o crescimento do empreendedor a certo faturamento anual”.
Mas se o MEI quiser se aperfeiçoar e se tornar um empresário competitivo e crescer, ele poderá buscar ajuda. E uma dessas ajudas é o Sebrae, conforme explica o gerente do escritório regional do órgão em Vilhena (que atende também Cerejeiras), Charif Mohamed. “O Sebrae vem ampliando sua forma de atendimento, através do APP Conecta Sebrae. Ao baixar e fazer o cadastro, o microempreendedor pode solicitar duas horas de consultoria online de vários temas, justamente para não deixa-los sem as orientações que serão determinantes para a gestão e manutenção do empreendimento. Além do APP e o atendimento da Sala do Empreendedor, ainda temos vários cursos gratuitos e orientações gratuitos na plataforma do Sebrae”.
Autor:
Rildo Costa
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 14 de Maio de 2021, às 14:44