Vinicius Paiva da Silva avalia que a profissionalização dos negócios ameniza os efeitos da crise
 
O consultor Vinicius Paiva da Silva, da VPS, uma empresa de consultoria e assessoria em gestão e liderança com sede em Vilhena, conhece como poucos as empresas do Cone Sul de Rondônia.
 
Desde que chegou à região, vindo do Rio Grande do Sul, em 2006, o zootecnista e até então professor universitário começou a se dedicar em oferecer consultorias de gestão.
 
Ao chegar a Rondônia, Vinicius Paiva primeiro começou atendendo os negócios rurais. Depois, os urbanos. Por fim, além de atender a propriedades rurais e empresas, investiu em oferecer cursos virtuais de gestão e liderança.
 
Nesta entrevista, o consultor fala de como os negócios, tanto os urbanos como os rurais, encararam a pandemia do Coronavírus em 2020.
 
1. Pelo conhecimento que você tem de empresas da região sul de Rondônia, qual foi o impacto da pandemia nessas empresas?
Foi diferente. Existem segmentos que foram totalmente impactados. Outros, menos. Os negócios que dependem mais da presença física, como os restaurantes, por exemplo, sofreram mais. Alguns negócios também tiveram dificuldades em entrar rapidamente para o mundo virtual, já que essa agilidade foi exigida em 2020. Também há casos severos, de empresas que fecharam as portas. E existiram também as empresas que acabaram se beneficiando com a pandemia. É o caso, por exemplo, das empresas do agro.
 
Por outro lado, não é apenas uma questão de setor que definiu o impacto que as empresas tiveram na pandemia, mas também a condição destes negócios. Uma empresa que já vinha com algum desequilíbrio até então, nas restrições da pandemia esse desequilíbrio se acentuou, prejudicando ainda mais a saúde desses negócios.
 
Na região, como um todo, podemos dizer que nos saímos até bem. Até porque Rondônia ainda é, em certo sentido, uma região de fronteira agrícola. E nas regiões de fronteira, o crescimento é quase natural.  Por isso, os negócios daqui tiveram menos impactos negativos que os do Sul e os do Sudeste, por exemplo.
 
2. Você atende também a negócios rurais, como propriedades produtoras de grão e gado. Esses negócios se saíram melhor que as empresas nesta crise provocada pela pandemia?
De uma maneira geral, sim. Os produtos primários do agro tiveram uma valorização, como gado e grãos. E isso foi no país inteiro.
 
Por outro lado, algumas empresas do agro não se saíram tão bem assim não. É o caso, por exemplo, dos negócios rurais que venderam a safra de forma antecipada para as trades [grandes empresas compradoras de grãos], com valores praticados antes da pandemia. Nestes casos, o ganho não ficou com esses negócios rurais da região, mas foi transferido para as trades.
 
3. Pelo que você pôde observar, que tipo de empresas se saíram melhores nesta crise? E isso deixa alguma lição?
De maneira geral, as empresas que se saíram melhor foram as do agro e satélites ao agro. Mas cabe observar também que contou muito o nível de profissionalização dessas empresas. As empresas mais profissionalizadas, como aquelas que investiram em gestão, têm mais condições de enfrentar momentos como este. Mesmo que elas não tivessem crescido na pandemia, como muitas não cresceram, pelo menos evitaram a falência.
 
É como aquela fábula de dois amigos que estavam andando na floresta. De repente eles viram uma onça. Um deles agachou e começou a amarrar o tênis para correr do bicho. Daí, o amigo perguntou: “Você pensa que vai correr mais que a onça?”. O outro respondeu: “Eu não preciso correr mais que a onça. Só preciso correr mais que você”.
 
Assim é o que acontece em tempos difíceis como esta pandemia. A crise se alimenta dos negócios mais fracos e, antes que ela chegue aos mais fortes, aquele ponto agudo da crise passa. Os negócios profissionalizados pelo menos conseguem evitar que sejam “comidos pela onça”.