Morando a um ano no Paquistão, país do Oriente que tem vivido dias de horror por causa de ataques terroristas, a vilhenense Everyn Palhares usa a internet para descrever o drama do povo que a acolheu. Casada com um jovem executivo muçulmano, Everyn, que por sete anos foi colunista do jornal FOLHA DO SUL, envia textos e fotos para grandes publicações brasileiras narrando a desolação das cidades atingidas pelas explosões. A própria estrangeira, que adotou o islamismo como religião e mudou o próprio nome para “Mishal” tem dificuldade para entender a motivação dos atentados. “O que sei é que o povo paquistanês é vítima e não apóia o terrorismo”, revela, acrescentando que muitos acreditam que por trás dos terroristas estão autoridades da India, com quem o Paquistão vive em permanente estado de tensão por causa de disputas territoriais.

Morando em Lahore, a maior cidade do país, Everyn-Mishal diz que sempre pensa em retornar ao Brasil quando os ataques começam. “Mas não vou a lugar nenhum sem meu marido”, garante. Pior é que, além da destruição causada por mãos humanas, o Paquistão também sofre com catástrofes naturais: terremotos e enchentes são relativamente comuns por lá.

Nos últimos dias, segundo Everyn, o número de atentados vem aumentando. A  vilhenense explica que o país passa meses sem registrar incidentes, mas quando eles voltam, são violentos e “um atrás do outro”. Everyn diz que não teve nenhum amigo morto nas explosões, mas descreve o que acontece após os ataques: “As ruas ficam desertas e ninguém sai de casa por dois ou três dias”, diz, admitindo que fica chocada com o desespero das vítimas e seus familiares. Também é comum a interrupção do fornecimento de energia elétrica após os bombardeios, que normalmente são desfridos contra órgãos públicos, mas quase sempre atingem civis.

Questionada pelo www.folhadosulonline.com.br se tal ambiente de tensão não a faz pensar na tranquilidade do Brasil, a neomuçulmana é direta: “Claro que sim. Quando ouço o barulho das bombas, penso que isso aqui é o inferno. Nada a ver com a paz do Brasil”.