"Pisaram no meu estômago", disse dono de marmoraria na cidade de Brasnorte (MT)
 
 O dono de uma marmoraria, Fabrício da Silva Lima, criminoso que participou do assalto à agência do Sicredi em Brasnorte, na última quinta-feira, 31, declarou em depoimento prestado durante audiência de custódia que teve o estômago pisado por policiais da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO). RELEMBRE AS PRISÕES.
 
Além disso, afirmou ter sido torturado por cerca de duas horas pelos agentes policiais que o capturaram em Vilhena, que teriam jogado água em seu rosto e o ameaçado de morte caso não revelasse onde estava o dinheiro levado do banco.
 
Fabrício foi preso em Vilhena no último sábado, 2. "Aqui meu hematoma. Estou desde ontem sem conseguir comer. Ficaram duas horas afogando, jogando água, pisaram no meu estômago, em dois pisava. Perguntou se eu tinha filho, falei que tinha um de 11 anos e falou pra mim: ou você fala onde está o dinheiro ou a gente vai partir para sua família", denunciou o criminoso durante a audiência (ASSISTA VÍDEO abaixo).
 

 
De acordo com o relato, Fabrício afirmou ter se rendido à polícia sem apresentar resistência. No entanto, isso não teria impedido os agentes de agirem com violência. Segundo ele, após ser detido, foi informado de que seria levado à delegacia, mas o trajeto foi alterado e os policiais o conduziram até uma fazenda em uma região isolada, em Vilhena.

Além de Fabricio, participaram do assalto à agência do Sicredi de Brasnorte Osvaldo Pereira de Souza, 40 anos, de Juruena; Rodrigo da Silva Lucena, 35 anos, de Brasnorte; Christian Ribeiro Galvão, 30 anos, de Brasnorte; Eduardo José Lopes de Moraes, 30 anos, de Aripunã; e os irmãos Luiz Carlos da Silva Júnior, 27 anos, e Lucas Vinicius de Amorim da Silva, 26 anos, ambos de Vilhena.
 
Os demais ainda não foram identificados. Fabricio é apontado por outros investigados durante interrogatórios realizados após prisões efetivadas, como integrante do grupo criminoso, tendo participado do roubo da Hilux em conjunto com os demais, bem como atuado no roubo à agência bancária do Sicredi. A Hilux foi o veículo usado para dar fuga aos bandidos após o roubo.
 
A caminhonete foi roubada no dia 29 de julho e pertencia a um idoso que afirmou que durante o roubo os bandidos estavam vestidos de policias militares. Após a subtração da Hilux, Fabrício teria colaborado com a ocultação do veículo no local conhecido como “torre”, demonstrando engajamento direto nos atos de execução e ocultação do produto do crime.
 
 Os relatos policiais destacam que o grupo criminoso possuía estrutura organizada, com divisão estável e duradoura de funções entre seus membros, configurando associação criminosa armada. A prisão em flagrante dele foi convertida em preventiva pelo juiz Laio Ports Sthel, do Poder Judiciário do Plantão da Comarca de Brasnorte, nesta segunda-feira (4).
 
 O CRIME
 Nesta segunda-feira (4), o delegado Sued Dias Júnior durante coletiva de imprensa informou que Até o momento, 14 pessoas estão presas, sendo que 12 têm envolvimento direto no crime. Dentre os bandidos, estão dois policiais militares que foram presos por envolvimento no roubo da agência bancária do Sicredi.
 
 “As investigações apontaram que os empresários faziam parte da rede de apoio que garantiu logística, fuga e ocultação dos autores diretos do roubo. Um deles, por exemplo, cedeu o próprio estabelecimento comercial para que o grupo se escondesse e fizesse a divisão do dinheiro logo após o crime.  Dois ou 3 deles eram empresários locais em Brasnorte que resolveram se aventurar nesse roubo mal-sucedido”, explicou o delegado.
 
Ainda segundo o delegado, o roubo foi planejado com pelo menos 20 dias de antecedência. Os criminosos utilizaram 3 veículos, incluindo uma Hilux roubada, que ficou escondida por um dia em uma área de mata.
 
Conforme já noticiado pelo GD, 4 homens armados invadiram a agência por volta das 14h de quinta-feira (31), fizeram reféns e fugiram em direção a Juína (735 km ao noroeste). Durante o trajeto, dois reféns foram liberados, um a cerca de 3 km de Brasnorte e outro a quase 10 km.
 
 Os criminosos não deixaram a cidade e, após o crime, contaram com a ajuda dos empresários para se esconderem e fazerem a divisão do dinheiro. A quantia levada, até o momento, não foi divulgada.
 
Parte dos criminosos foram presos em Vilhena (RO) na madrugada de sábado (2), durante uma operação integrada. No local estavam os dois autores diretos do assalto, o motorista do HB20 e mais dois homens ligados a fuga.