Prestes a completar 56 anos no próximo domingo (14), e com quase 40 deles só na música, o sambista Arlindo Cruz incorpora em seu novo CD, "Herança Popular", características modernas. O resultado pode ser atribuído diretamente à sua participação fixa por quatro anos no programa "Esquenta", comandado por Regina Casé na Globo. "'Olha lá o tio do 'Esquenta', dizem as crianças para mim", ele conta.
Segundo Arlindo, hoje em dia seu público está "diferente", com mais crianças e até menos fãs de samba de raiz contemplando suas canções. "É um público que nem sabe que eu tenho 700 músicas gravadas, mas me conhece de lá como aquele 'gordinho do Esquenta'".
Foi assim que decidiu investir em assuntos cotidianos e ritmos que fazem sucesso com o povo. Arlindo se denomina como "cronista do dia a dia" e contou que "substituiu" o primeiro samba gravado no Brasil, que data 1917, "Pelo Telefone", de Donga, por "Pelo Whatsapp" para fazer uma brincadeira com a modernidade.
Em suas novas canções há referências ao passo "quadradinho de oito" e à cantora Anitta, além de parcerias com MC Marcelly e Mr. Catra. Mas não é só o funk que ele incluiu no disco: o álbum tem músicas com Maria Rita ("Paixão E Prazer"), Marcelo D2 ("O Mundo que Resnaci") e Zeca Pagodinho ("Somente Sombras").