Caciques de oito tribos comandavam, desde as 6:00h da manhã desta segunda-feira, 20, a interdição de um trecho da BR 364. Além dos líderes indígenas, estavam no local do bloqueio, nas proximidades do posto 12 de Outubro, a cerca de 30 km de Vilhena, homens das tribos Terena, Nambiquara, Sabanê, Mamaindê, Aikanã, Latundê, Tawandê e Manduka. Todas essas etnias são atendidas pela unidade da Funasa que fica em Vilhena.
De acordo com o cacique Beto Terena, um dos líderes do movimento, a ação tem como objetivo obrigar o governo as revogar dois decretos da Advocacia Geral da União (AGU) que, segundo o cacique, prejudica as etnias. O protesto também pedia a aprovação do Estatuto dos Povos Indígenas. Outra reinvindicação dos índios é a não aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que transfere da Funai para o Congresso Nacional a prerrogativa de demarcar terras indígenas. “O Congresso está cheio de grandes produtores rurais, que prejudicariam o índios em favor dos donos de terras”, disse Beto, falando ao FOLHA DO SUL ON LINE.
Outra exigência dos caciques é que a Funai seja reestruturada financeira e administrativamente. Segundo eles, o órgão sediado em Vilhena dispõem de apenas dois servidores para dar assistência a 48 aldeias, onde vivem mais de 3 mil índios.
Os índios diziam que só liberariam a rodovia federal caso algum representante da União aparecesse no local. Pior: até o dia 27, trechos de outras rodovias da região poderão ser interditados. Até o momento em que a reportagem ficou no local, havia uma fila de veículos de aproximadamente dois quilômetros no sentido Mato Grosso/Rondônia. Graças à ação da Polícia Rodoviária Federal, que avisou sobre o bloqueio aos motoristas que saem de Vilhena, o tráfego naquele sentido era mínimo.
No momento em que este texto era finalizado, chegou à redação a informação, passada por um agente da Polícia Federal, de que a estrada havia sido liberado. O desbloqueio aconteceu mesmo sem a chegada de qualquer representante da União ao local da manifestação.