Por volta da 1h30 da madrugada do dia 17 de novembro, os presos Marcelo Felix Ribeiro, 28 anos, Welyton Tiago Carvalho, 23 e Aparecido da Silva, 26, que cumpriam pena na Colônia Penal de Vilhena (CPV), fugiram de uma ala da instituição tida como segura.
Segundo o diretor administrativo da CPV, Tenente Jonas Soares Filho, os detentos já haviam tentado fugir no inicio da semana. Na ocasião eles teriam serrado as grades de metalão improvisadas, abaixo do forro de madeira de uma das celas, mas foram impedidos pelos agentes plantonistas, que isolaram o local violado.
Mas, na ultima madrugada, os apenados forçaram os portões de grades da cela onde estavam e fugiram pelo vão aberto entre eles. Seguiram para os fundos da CPV e pularam o muro, que naquele local é de pouco mais de dois metros de altura e complementado apenas por uma tela que não impediu que os fugitivos pulassem para o pátio do SESC LER e dali saíssem para a rua.
Segundo o Tenente Soares, um dos fugitivos, Aparecido da Silva (foto), foi recapturado com a ajuda da Policia Militar. Os outros ainda não foram localizados. Os três detentos envolvidos nesse episódio já estiveram detidos outras vezes na CPV.
De acordo com o diretor administrativo, um esforço grande tem sido feito, tanto pelo estado, com o apoio do judiciário e do Ministério Público (MP) no intuito de amenizar as deficiências da unidade prisional. “Nossas deficiências vão desde a estrutura até o contingente humano”, alertou.
O diretor administrativo disse ainda que a instituição conta com cinco agentes plantonistas para cuidar de 203 detentos, sendo 143 homens e 60 mulheres. “Para cuidar dessas 60 mulheres, somente temos uma agente plantonista, o que nos obriga a determinar que um agente do sexo masculino auxilie na ala feminina, o que não é permitido por lei”, disse.
Soares ainda denunciou a falta de condições mínimas de segurança da CPV. “Mesmo a gente realizando revistas minuciosas nos apenados que passam o dia fora, ainda assim drogas e objetos proibidos entram na CPV. Parte desses problemas é porque a CPV é no perímetro urbano, e muitas dessas “coisas” são jogadas por cima do muro”, enfatizou.
Segundo a direção da CPV, os apenados contam com escola nos três períodos, manhã, tarde, e noite. A instituição também permite que haja cultos religiosos. “Eles não cumprem a pena por total desrespeito a sociedade a que pertencem”, disse o diretor.
Sobre as condições da CPV, o diretor afirmou que há pelo menos 40 internos dormindo diretamente no piso. Também na ala feminina há pessoas dormindo direto no chão.
Uma nova cela, com capacidade para 35 detentos, está em fase de acabamento e amenizará o problema. “O problema é que com a interdição da Casa de Detenção uma das alternativas é a progressão de pena, e aí esses indivíduos vêm cair aqui superlotando a CPV”, enfatizou.
Soares ainda disse, enquanto mostrava algumas reformas que estão sendo feitas, que “todo o material empregado aqui é reaproveitamento e fruto de doação, visto que ano temos verba para fazer quaisquer melhorias na CPV”, concluiu.