Sem surpresa, nem pompa e circunstância, a Record realizou a final da edição de verão de “A Fazenda” no final da noite desta quarta-feira (30), que consagrou o favoritismo de Angelis e a máxima de que os últimos serão os primeiros.
A polêmica assessora de imprensa venceu o reality rural com 69% dos votos. Faro afirmou que a morena levou a bolada por conta de seu carisma. Isis Gomes ficou em segundo e Thyago Gesta em terceiro lugar.
Na plateia, estavam todos os participantes do projeto com exceção daqueles que bateram o sino ou foram expulsos. No palco, somente Rodrigo Faro. A direção não se deu nem ao trabalho de convidar um grande nome da música para se apresentar na final como é o costume na edição com celebridades.
Grande aposta da Record para o verão, o reality rural se tornou um elefante branco e só serviu para desgastar a fórmula. Culpar a vitória antecipada de Angelis – que se tornou queridinha do público quando foi escorraçada pelos demais participantes – pela baixa audiência não cola. No “BBB 9”, Max Porto era o favorito desde a segunda semana e sua edição foi uma das mais bombadas dos últimos anos.
A culpa pelo fracasso do projeto é toda da Record. A começar pelas constantes mudanças de horário. A direção do canal escalou o programa para competir com o remake de “Carrossel”, do SBT, na vã esperança de que as crianças trocassem a novelinha pelo dia a dia dos peões. Oi?
Após perceber que cometera um erro, os bispos trocaram o horário diversas vezes prejudicando produtos fortes de sua faixa nobre como a novela “Balacobaco” e “Ídolos”, que acabou ficou escondido quase na madrugada.
Outro tiro no pé foi acreditar que o programa faria frente ao “BBB”. O programa apresentado por Pedro Bial é o melhor do ramo. Tanto que está em sua décima terceira edição. Para conseguir tirar pontos do concorrente, o ideal seria a emissora paulista apresentar uma opção para quem não curte dar aquela espiadinha ao invés de exibir uma cópia rural.
Ainda assim, a produção conseguiu montar um elenco de fazer inveja a J.B. Oliveira, o Boninho. Teve de tudo na sede de Itu: barracos homéricos, desistências, expulsão, romance lésbico... Prato perfeito para qualquer voyer televisivo.
No entanto, um reality não é feito só de confusões. O público não gosta de se sentir lesado. Interromper a transmissão 24 horas no meio de situações polêmicas para exibir com exclusividade na TV irrita os internautas. Omitir dos telespectadores o affair entre duas mulheres confinadas vai contra a ideia original da atração. Sem falar no lenga-lenga tradicional no roteiro para conseguir segurar a audiência. Tudo isso afeta a credibilidade do projeto.
Quase todo mundo saiu perdendo na edição de verão de “A Fazenda”: o projeto, a emissora, os participantes que ninguém lembra o nome e até mesmo o apresentador da edição de famosos, o jornalista Britto Jr – que nem participou do reality.
Tirando o vencedor - que se tornou o novo milionário do país, apenas Rodrigo Faro saiu bem na fita. O carisma do bonitão foi o único motivo pelo qual valeu a pena dar uma olhadinha no que acontecia em Itu. Tomara que os boatos de que ele assumirá a vaga de Britto na edição com famosos se confirmem. A Record vai precisar de muito mais que um rostinho bonito e talentoso para tirar o reality da Roça.