Cento e onze velas são necessárias para colocar no bolo do ‘seo’ Orider Camargo, um paranaense de Reserva, que nasceu no dia 18 de setembro de 1898 e chegou a Rondônia há 27 anos. Lúcido e ouvindo com dificuldade, Orider passa o dia na varanda da casa onde mora com a mulher, Ana Maria Vidal, de 87 anos. Quando ‘seo’ Oriber nasceu, a Velha República estava para completar 10 anos que, ao longo dela, somou 13 presidentes até a ascensão de Getúlio Vargas em 1930. Ou seja, ele nasceu praticamente junto com proclamação da República. Naquele ano também nascia Luiz Carlos Prestes. Eclides da Cunha reassumia o cargo na Superintendência de Obras Públicas de São Paulo e o cangaceiro Virgulino Ferreira da Silva, o ‘Lampião era um bebê de cinco meses. Mas estas histórias e as transformações que o Brasil e o mundo passaram em pouco mais de um século, não fazem parte do conhecimento didático do ‘seo’ Orider: ele não sabe ler e nem escrever. O negócio dele sempre foi trabalhar na roça.
Ele conta que aprendeu a fumar ainda na adolescência, coisa que faz até hoje, mas é fumo-de-corda que ele mesmo pica. Outra curiosidade é que, 20 dias antes do ‘seo’ Orider, nascia Enzo Anselmo Ferrari, o fundador da Scuderia Ferrari e da fábrica de automóveis Ferrari.Ana Maria Vidal é a segunda esposa do ‘seo’ Orider. Ele ficou viúvo e ela estava desquitada. Isso, há 60 anos. Quando o casal veio para Rondônia, com boa parte dos filhos, ‘seo’ Orider já tinha 87 anos. Ele trabalhava em terras “de ameia”. Há mais ou menos dois anos, conta dona Ana, “Orider ainda capinava quintal em Ji-Paraná para ganhar uns trocados a mais”. Depois que ele escorregou e quebrou uma costela, deu uma parada, “mas é teimoso e quer carpir a frente da casa”.
Ao ser questionada quanto à vida conjugal, dona Ana riu, e desconversou, mas um dos netos disse que outro dia ele estava perturbando dona Ana querendo ‘algo a mais’.
Orider, que nasceu no ano em que foi lançada a Pepsi Cola, adora tomar vinho, tanto ele como dona Ana. “Vinho todo dia é bom, mas é melhor quando tem festa”, disse ela, rindo, ao comentar que Orider, quando trabalhava na roça, todo fim de semana organizava um forró.
O casal tem 10 filhos, 37 netos, 20 bisnetos e pelo menos 16 tataranetos. As contas ficaram difíceis de fazer porque boa parte da família está no Paraná e em Roraima. Ontem foi feita festa especial para comemorar os 111 anos do seu Orider.