O agricultor João Vieira, de 68 anos, morador da cidade de Juína,  (240 km de Vilhena), tenta provar na justiça que está vivo a mais de doze anos. No currículo, além de muitos anos no garimpo, ele tem também um atestado de óbito. Segundo ele, a confusão foi causada pela ex-mulher, que foi a um cartório com duas testemunhas e declarou que João Vieira teria falecido em 1986, aos 44 anos de idade. “Quando descobri foi uma grande surpresa, e nessa história já faz muito tempo que nem consigo aposentar”, disse.

A história só veio à tona quando o idoso foi retirar a 2ª via da certidão de casamento para regularizar a situação conjugal com a atual mulher, com quem vive há mais 30 anos. No verso da certidão, a nota do falecimento. Devido à suposta morte, o idoso não consegue nenhum beneficio da Previdência e hoje o casal, que tem 17 filhos, busca apoio nos órgãos públicos. “Agente não consegue nada, nem tirar documentos. Como vai fazer identidade de um morto?”, indagou Helena Marques, esposa do “vivo morto”.

A reportagem da Tv Cidade Verde de Juína (afiliada a Band), descobriu que Maria José Vieira, a autora da declaração do óbito, mora atualmente em um assentamento no município de Campo Verde-MT, mas não teve êxito em contactá-la.

O caso chegou à justiça em 2008, mas duas pessoas arroladas como testemunhas da tal morte não foram encontradas para depor. As investigações caminham agora para, primeiro, confirmar a verdadeira identidade do idoso, já que ele não possui nenhum documento pessoal, exceto um titulo de eleitor.

Segundo o juiz Alexandre Delicato Pampado, o caso parece ser fácil, porem, é muito sério. “Antes de tudo, é provar que este senhor seja ele mesmo. O difícil é que ele não tem documentação nenhuma”, informou o magistrado.

O advogado Oswaldo Lopes de Souza, que acompanha o caso, está confiante numa decisão favorável. “Espero que a decisão do juiz seja favorável e que de uma vez por toda declare seu João vieira vivo, para todos os efeitos legais”, completou.