Unidade será administrada pela GRU Airports, de Guarulhos, após concessão do Governo Federal
 
Após o aeroporto de Vilhena ter sido leiloado recentemente, a FOLHA teve acesso aos dados e cronogramas de investimento. Parte do Programa AmpliAR, iniciativa do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), a concessão teve como vencedora a GRU Airport, responsável pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo. Em Vilhena o investimento começa em 2026 com aporte de quase R$ 26 milhões já neste primeiro ano de concessão, que durará 30 anos e prevê R$ 74,6 milhões de investimentos no aeroporto local neste período.
 
As planilhas mostram que estão previstas obras de modernização da infraestrutura, ampliação e manutenção do aeroporto com o objetivo de melhorar o atendimento aos passageiros e fomentar o desenvolvimento econômico da região. Com 19.650 passageiros transportados em 2024, o aeroporto de Vilhena deve chegar a 47.648 em 2052, conforme a previsão do projeto.
 
As obras no primeiro ano envolverão investimentos de R$ 10,2 milhões na pista de pouso e decolagem (PPD), R$ 700 mil na pista de táxi/rolamento (PTR), R$ 6,6 milhões no pátio, entre outras várias intervenções. No geral, o programa AmpliAR exige ampliação de pistas, melhorias nas Áreas de Segurança de Fim de Pista (RESAs), aumentos nas faixas de pista, Taxiway, Pátio de aeronaves, terminal de passageiros, estacionamento de veículos e equipamentos de auxílio à navegação aérea.
 
Deficitário, o aeroporto de Vilhena tem custo operacional de R$ 4,3 milhões por ano e gera receita de apenas R$ 357 mil. Com as obras da GRU Airports, a expectativa é que mais companhias aéreas, em especial a LATAM, comecem a operar na cidade (relembre aqui: https://www.folhadosulonline.com.br/noticias/detalhe/2025/apos-encomenda-bilionaria-avioes-nova-companhia-aerea-deve-encarar-azul-e-passar-operar-em-vilhena). No quarto ano da concessão, assim, a receita deverá ter pulado para R$ 827 mil, chegando a R$ 1,5 milhão ao fim do contrato.
 
Ainda assim, os custos operacionais somados totalizarão R$ 130,9 milhões, que somados ao investimento de R$ 74,6 milhões, representarão um valor de R$ 205 milhões a ser desembolsado pela empresa. No período, o rendimento será de apenas R$ 33,3 milhões, deixando a balança financeira da unidade local no vermelho em mais de R$ 170 milhões. O interesse da empresa, no entanto, vem da contrapartida que o governo federal ofereceu: ao “assumir a bucha” deste e de outros aeroportos deficitários do país, a GRU Airports terá estendido o prazo de concessão dos aeroportos que ela já administra e que têm lucro. Segundo a empresa, por serem muito rentáveis, os anos que ganharão nestes contratos valerão a pena “carregar o peso” deste e de outros aeroportos leiloados.
 
A concessionária arrematou também os terminais de Lençóis (Bahia), Paulo Afonso (Bahia), Barreirinhas (Maranhão), Porto Alegre do Norte (Mato Grosso), Araripina (Pernambuco), Garanhuns (Pernambuco), Serra Talhada (Pernambuco), São Raimundo Nonato (Piauí) e Araguaína (Tocantins). Além de Rondônia, participaram desta primeira fase aeroportos de estados como Acre, Amazonas, Pará, Tocantins, Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Ceará e Mato Grosso.
 
O Programa AmpliAR foi criado para ampliar a conectividade aérea em áreas remotas e integrar esses locais à malha nacional. A meta é modernizar até 100 aeroportos em todo o país, com investimentos que podem ultrapassar R$ 5 bilhões. Nesta primeira fase, foram ofertados 19 terminais regionais, incluindo os de Rondônia.
 
Cacoal também receberá um investimento em seu aeroporto de R$ 49 milhões, igualmente concedido à GRU Airports.