Roupas e calçados do país asiático tem numerações diferentes das brasileiras
Uma paixão do brasileiro que vem ganhando cada vez mais força com as restrições da pandemia de Covid-19 e diante da inflação no Brasil, é a compra de produtos da China, que gera um contrapeso na balança exportação X importação, uma vez que o país oriental é o principal destino da soja produzida aqui, óleo bruto de petróleo e minérios de ferro.
Segundo uma pesquisa realizada pelo site do banco Santander, só nos seis primeiros meses de 2020, o Brasil exportou um total de US$ 34,4 bilhões para o país asiático e importou mais de US$ 16 bilhões, o que representa 23,2% de todas as compras no exterior feitas pelos brasileiros no período.
Apaixonados por compras online, inclusive da China, os vilhenenses não ficam para trás, pois segundo a assessoria de comunicação dos Correios, as agências de todo o Estado estão com muita demanda, uma vez que diversos comerciantes estão recorrendo às vendas on-line como forma de continuar suas atividades em meio a pandemia e grande parte das encomendas entregues diariamente, fora as correspondências, são de produtos importados.
Ainda segundo a assessoria, até meados de junho, foi observado um aumento de 25% no fluxo postal, principalmente, em demandas de e-commerce (loja virtual).
E, com certeza, algumas das centenas de encomendas que partem da nação oriental e são distribuídas pela agência dos Correios de Vilhena, estão destinadas ao servidor público Itamar da Silva Pereira, que começou seu “relacionamento com a China” em 2006, guiado pela diferença exorbitante de preço, quando surgiram os primeiros MP3 e nunca mais parou.
Itamar, que ainda se lembra de suas primeiras compras, afirmou que chegou a revender alguns objetos, mas nunca na intenção de ganhar dinheiro, apenas para tirar seu gasto, pois quando se interessava por algum item, importava mais de uma unidade já na intenção de revender a segunda ou demais peças, por preços que apenas cobrissem seu investimento.
Com isso foi crescendo seu consumismo em importações, que ele acredita fielmente que vale a apena, pois durante os 14 anos de experiência com compras em sites chineses, já chegou a economizar muito e nunca levou nenhum prejuízo significativo que o desmotivasse.
Para Itamar, muitas vezes o que desmotiva uma pessoa em investir nas importações da China, é o tempo de espera para chegada do produto, porém, este alega que mesmo assim vale a pena.
“Se você não tem pressa para receber o produto, compre da China, pois as vezes é o mesmo que você compraria no Brasil pelo dobro ou triplo do preço; no entanto, se sua necessidade for de urgência, compre em uma loja local, porque o tempo estipulado de entrega pelas empresas chinesas nunca são exatos, tanto podem adiantar, como podem atrasar”, afirmou Itamar.
E quando fala em diferença de preço, Itamar alegou não exagerar, pois já comprou um roteador por R$ 210,00 de um site chinês, com qualidade superior a um que em Vilhena é vendido por R$ 600,00.
“Como era algo que podia esperar, comprei e nunca me arrependi, pois demorou cerca de 40 dias para chegar e é um produto excelente”, relatou o servidor.
Porém, um dos grandes medos dos que querem iniciar a prática de importação, são as temidas taxas da alfândega, que podem ser emitidas no momento em que o produto entra em território brasileiro, mas para esta questão, Itamar dá uma dica valiosa, que é não importar produtos com peso superior a 1,5 kg ou com preços muito altos, pois a maioria das mercadorias são taxados pelo peso e não pelo valor, fora os aparelhos celulares, que dificilmente escapam.
“O produto mais caro que já comprei foi R$ 600,00, mas já é arriscado, porém, normalmente os tributos são fixados em R$ 200,00, independente do valor da compra”, relatou.
Já com relação a roupas e calçados, Itamar afirmou se tratar de sorte para não se decepcionar, pois as numerações brasileiras não batem com as chinesas, e mesmo seguindo as tabelas de comparações à risca, elas acabam variando, por isso tais produtos ele não recomenda, até porque a diferença de preço não compensa tanto e o comprador ainda pode sair insatisfeito.
Já com relação as taxações dos produtos, Itamar afirmou que há formas de o cliente recorrer, porém, o melhor é não arriscar, ou só receberá sua compra caso realize o pagamento e mesmo assim, o tempo de entrega que já é grande, se prolongará ainda mais.
Por fim, Itamar afirmou que para aqueles que querem iniciar no caminho das importações, há muitos fóruns na internet e grupos de Facebook formados por pessoas que são acostumadas a importar, que indicam as melhores empresas, como escolher a numeração adequada, além de estarem sempre informando sobre promoções.
Autor:
Da redação
Fonte:
Folha do Sul
Publicado em 21 de Outubro de 2020, às 12:31