Algozes são do CV e vítimas que seriam executadas, do PCC
 
A violenta “guerra urbana” travada entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC), que há meses se enfrentam pelo controle de áreas para a venda de drogas em Vilhena resultou em uma situação que teria acabado em tragédia, se não fosse a ação da Polícia Militar.
 
Na noite de ontem, durante patrulhamento pelo bairro Alto Alegre, a guarnição composta por quatro policiais ouviu um grito de socorro vindo do interior de um imóvel onde funciona uma boca de fumo, e parou para averiguar, momento em que os militares ouviram sons de correria e objetos sendo quebrados.
 
No local, foram encontrados dois homens visivelmente abalados, um de 25 e outro de 28 anos. Um deles estava amarrado e o outro, recém-libertado, ainda apresentava as marcas de corda nos pulsos. Neste momento, dois suspeitos tentaram fugir pulando muros, mas foram alcançados e presos.
 
Após a captura, os policiais encontraram dois tabletes de crack dos quais os dois suspeitos haviam tentado se livrar durante a fuga, cada um pesando 1 kg. Também havia, com um deles, uma pistola calibre .40 municiada. A arma foi furtada em Porto Velho em março deste ano.
 
De acordo com os dois homens resgatados, eles haviam apenas parado o veículo VW Fox no qual estavam em frente a “boca” para usar o celular em uma negociação envolvendo uma motocicleta. Neste momento, ambos foram rendidos pelo dono do imóvel e, sob a mira da arma, obrigados a entrar na casa.
 
Já dominadas, as duas supostas vítimas passaram a ser gravadas por chamada de vídeo. Segundo os dois homens rendidos, do outro lado da linha, recebendo as imagens, estavam entre 20 e 30 membros da facção criminosa Comando Vermelho.
 
O comparsa do traficante, um adolescente de apenas 16 anos, pertencente ao CV, insistia que o “tribunal do crime” autorizasse o assassinato dos supostos rivais, que seriam do PCC. Ambos os acusados se revezavam na posse da pistola para fazer as ameaças, mas o menor era mais agressivo. E a execução sumária dos dois supostos faccionados só não aconteceu porque os PMs impediram.
 
Já os dois acusados capturados em fuga apresentaram outra versão: disseram que a dupla libertada havia ido ao local comprar drogas no território do CV, mas durante a negociação, ambos foram identificados com membros do PCC, o que levou ao desacordo e ao momento de tensão.
 
Os dois supostos faccionados que seriam executados a tiros passaram da condição de vítimas para a de suspeitos de participação no tráfico de drogas. Os quatro envolvidos no caso foram apresentados na Unisp, junto com a droga apreendida.