Infiltrações, rede de água e esgoto com mau funcionamento, equipamentos sucateados, salas abandonadas e paredes e teto quebrados. Pacientes deitado em macas colocadas no chão. Situações como essa já viraram quadro fixo no Pronto-Socorro de Cuiabá, uma instalação que se assemelha a chamada “visão do inferno”. Um prédio que beira a ilegalidade, cuja situação jurídica só atrapalha a possibilidade de uma mínima recuperação.
 
A situação do Pronto-Socorro – tão decantada em todas as eleições – foi  mostrada mais uma vez nesta segunda-feira, 4,  pelo prefeito Mauro Mendes, que expôs os problemas de um hospital antigo e superlotado. Mendes  anunciou medidas emergenciais para tentar amenizar a situação. 
 
O Pronto-Socorro de Cuiabá realiza 7 mil atendimentos por mês e é referência em cirurgias ortopédicas e tratamento de queimados em Mato Grosso. As instalações completaram 27 anos e poucas foram as ocasiões em que passaram por reparos.
 
Na última sexta-feira, 1, a sala onde era feita a esterilização de materiais do Pronto-Socorro foi interditada e a equipe transferida para outra sala. O secretário Kamil Fares, de Saúde, disse que todo o complexo onde ficava a esterilização será bloqueado. “Como está muito grave para que sejam feitos apenas reparos, vamos fechar aquela parte e, posteriormente, ela deverá passar por uma reforma maior”, explicou.
 
A reforma no Pronto-Socorro de Cuiabá, a rigor,  terá que ser feita com recursos próprios da Prefeitura. “A Prefeitura não tem a escritura desse prédio e existe um litígio na Justiça que nos impede de pleitear recursos do Governo Federal. Isso pode atrasar ainda mais as mudanças que pretendemos fazer”, explicou Mauro Mendes.
 
No entanto, o prefeito anunciou que até o dia 25 de março deverá anunciar o local em que o novo Pronto-Socorro será construído. “Temos três áreas sendo estudadas e, assim que escolhermos, vamos anunciar. Em abril já devemos abrir a licitação para o projeto e espero começar a construção ainda neste ano”, disse.
 
Enquanto isso não acontece, Mendes anunciou algumas medidas que já estão em andamento para desafogar o hospital. Foram contratados mais  de 60 médicos para atuar nas seis policlínicas, o que transfere parte da demanda. O Ministério da Saúde também autorizou a Prefeitura a contratar mais 100 leitos de UTI para transferir os pacientes que estão no Pronto-Socorro. Desses, 42 leitos já estão em funcionamento na Santa Casa de Misericórdia.
 
Além disso, outras ações serão colocadas em prática a partir desta semana. “Temos uma equipe já montada da Secretaria de Obras Públicas para fazer os reparos mais urgentes no prédio do Pronto-Socorro, como as infiltrações e rede de esgoto”, explicou.
 
Apesar de todas as dificuldades, Kamil Fares destacou o trabalho dos 1.200 servidores do Pronto-Socorro Municipal. “Já vi muitos funcionários tristes, inclusive chorando, por causa das más condições de trabalho. Mas esse é o único hospital que salva vidas em Mato Grosso. É o único que está sempre de portas abertas”, enfatizou.